alice in wonderland*
"filho da puta!" ela repetiu alongando as sílabas: fiiilho daaaa puuta! ela falou assim feito ator brasileiro em filme dos ano 70. filme brasileiro da década de 70 q se preze tem alguém falando "fiiilho daaaa puuta!" de boca cheia. tem tb mto "vá pra puta q te pariuuu". é a contracultura, é essa coisa de grito entalado na garganta . pelo menos era assim q o pessoal cabeça defendia o uso indiscriminado no palavrão no cinema nacional de protesto. uma coisa contra a ditadura, sabe. bem, posto isso, explicada a referência , voltemos aos fatos. ela xingou ele plantada nua no quarta. aquele cafajeste tinha deixado escapar o nome de uma fulana bem na hora do vai e vem. bem na hora q o pau dele enterrado dentro dela apontava o caminho do clímax. ela brochou imediatamente. saltou da cama e xingou. xingou e atirou nele o q viu pela frente, q no caso era um bibelô de louça em forma de cisne q ela havia ganhado da mãe. era bem brega, bem cafona, mas ela q era chegada num brechó chamava de kitsch. ele , q num era chegado nessas coisas _ pura viadagem na sua concepção _ achava aquilo uma porcaria e no fundo ao ver o treco se espatifar na parede sentiu até um certo regozijo. o cisne ficou descabeçado e ele q estava mais interessado no ganso viu suas chances de satisfação se espatifarem na parede tb. ela repetiu " fiiilho daaaa puuta" mais umas 323 vezes enquanto procurava qualquer outra coisa para atirar. mas depois de ver o cisne kitsch ser decapitado começou a procurar qualquer coisa de menor valor. de repente tudo tinha valor. tudo valia mais do q aquele desgraçado q comia ela falando o nome de outra. por fim atirou uma caixinha de fósforo nele. ele num se controlou e rio. e o riso incendiou a fúria. ela saiu pelada do quarto e voltou segurando uma panela. agora a coisa estava ficando preta mesmo. ele fugia da panela pelado pela casa. foi tropeçando , ralando o dedo, batendo o joelho e chacoalhando p pinto até a sala. ali, desnudo, de frente para janela sem cortina se viu diante de uma platéia inusitada. dona aurora do bloco da frente com as netinhas. uma de 4 e outra de onze. a de 4 ria e apontava para ele. a de 11 com um meio sorriso num tirava o olho do pinto dele. ele pensou: nessa idade e já safada... e já sentiu o membro orgulhoso pulsar de novo lá embaixo. esse pensamento foi a distração necessária. a panela atingiu em cheio o topo da cabeça dele. ele viu tudo turvar. foi caindo no chão e na escuridão. só conseguiu ver dona aurora com aquela cara de dor simpática, espremendo os olhos, encolhendo os ombros e falando "xiiiii". caiu espatifado e pelado no carpete. só foi voltar a si sabe-se lá qto tempo depois. estava pelado, mas coberto pelo lençol. a mulher aos prantos estava vestida e descabelada. dona aurora do lado segurava um copo d'água q insistia em oferecer-lhe. a menina de 4 brincava no chão e a de 11 parada ao lado da cama olhava bem no fundo dos olhos dele. ele foi se recuperando, a mulher pedindo perdão, dona aurora oferecendo água e a menina olhando para ele. e ele , q num era bobo nem nada, se fez de vítima. gemeu, mostrou fragilidade, sorriu, perdoou, fez q ia desmaiar de novo. enfim, fez de tudo para ganhar a solidariedade das mulheres em volta. até a de 4 anos veio ajudar. mas a de 11 ficou ali observando ele, tirando uma linha e medindo ele inteirinho. as coisas foram se acalmando e a conversa foi fluindo. ele sorrindo, ela enchendo ele de beijo e dona aurora oferecendo o maldito copo d'água. por fim a paz se fez e a vizinha decidiu ir embora. qdo estava saindo ele levantou a cabeça e fingindo dificuldade quis saber os nome das meninas. disse para agradece-las pela ajuda e se desculpar pelo papelão. dona aurora foi logo contando q a de 4 era uma fofura mesmo, um amorzinho e se chamava gisele. a outra, a maiorzinha, mto inteligente e já estava na 5º série como ela logo explicou, se chamava alice. e foi olhando bem no fundo do olho da menina q ele num meio sorriso repetiu: alice. e alongou o nome no meio do sorriso. a mulher imediatamente reconheceu aquele tom de voz, aquelas vogais alongadas, o sorriso safado. "tarado!", ela gritou enquanto avançava sobre a cama furiosa. ele saltou da cama pelado e saiu correndo pela casa. a mulher lançou mão da panela e foi atrás. dona aurora tampou os olhos a menor enquanto franzia a testa e repetiu o "xiiii" anterior. já alice, essa ficou parada olhando tudo. não perdia nada a alice. os olhos de alice permaneciam grudados na anatomia do homem q corria pelado pela casa perseguido pela mulher descabelada. ele olhava admirada para o pinto dele. nunca havia visto nada tão pequeno.
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a síndrome de "alice no país das maravilhas" é uma doença rara tb conhecida como micropsia. mtas vezes associada a epilepsia e a ansiedade, esta condição do cérebro afeta como a pessoa percebe os objetos ao seu redor, mtas vezes percebendo eles como mto maiores ou mto menores do q eles de fato são. a doença tem este nome em referência ao personagem do livro de lewis carrol q numa certa passagem tem seu tamanho modificado inúmeras vezes.