i am note like anybody else
esse é o refrão da música do the kinks que ilustra a campanha mundial do galática ibm. fiquei com essa musiquinha na cabeça enquanto o homem de olhos estalados falava que ia quebrar uma garrafa na minha cabeça. num sei pq essa musiquinha grudou e naquele momento enquanto eu estudava as possibilidades esse sonzinho ficando buzinando bem lá no fundo. os olhos estalados defendiam a integridade sexual da sua família, pelo menos esse era o discurso. bem , a musiquinha continuou e eu resolvi me calar, em nome da minha integridade física, em nome do bom tom, em nome dos meus amigos na mesa que suplicavam com os olhos para parar por aí, em nome da liberdade de expressão, enfim, em nome de todos os nomes que num eram meus. voltei para casa xingando tudo qto é nome pq no fundo eu queria mesmo que ele tivesse tentado quebrar a garrafa na minha cachola. queria ter levantado bandeiras, defendidos direitos civis, libertados os escravos, exterminado os opressores, liderado a revolução. tudo ali, no meu próprio quarto, de frente pro espelho de corpo inteiro, onde eu ensaiei todas as respostas e todos os discursos da minha vida. e foi ali, diante de mim mesmo que a musiquinha voltou com força. pensei na hiprocrisia defendendo um discurso de liberdades individuais, evoquei meu pai comunista, comemorei o meu macintosh, e adormeci com a musiquinha na cabeça. despertei com aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca. aquele amargor de ter me acomodado. me senti convencional, banal e envergonhado. oras, devia eu ter quebrado uma garrafa na cabeça daquele caretapreconceituosohomofobicoracistareacionariomalufistaidiota... foi assim mesmo que saiu da minha boca. nem dava pra respirar entre as palavras tamanho o xingamento. a musiquinha voltou na minha cabeça. mais tarde ponderei: aceitar a individualidade tudo bem, mas chatice é imperdoável.
wondermarx - 3:22 PM
fala aí:
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
meu primeiro carro foi um sonho de valsa
vivíamos praticamente escondidos no litoral norte_ tempos bicudos aqueles nos final dos anos 60._ meu pai, minha mãe e meus dois irmãos. num rolava mta comunicação com o mundo civilizado_ a tamoios era um horror, e telefone ,uma invenção dos anos 50, no brasil daquele tempo era um luxo. ddd era pelos olhos da cara, pra usar uma expressão da época. mas enfim, foi assim que a velha amiga da minha mãe foi visitar os escondidos. qual a surpresa dela quando descobriu que não éramos mais quatro. éramos cinco_e nunca fomos 6. pra meu irmão mais velho um microscópio estudantil. estudantil queria dizer que era um treco mais barato, com baixa tecnologia (se bem que naquele tempo...) e que servia pro menino se sentir bacana e ver mais de perto uma formiga, se tanto. bom, o primogênito ganhou o microscópio e o do meio ganhou uma caneta e um pente de madreperóla com inscrições em ouro. nunca entendi o combo: pente e caneta, mas fez vista. imagina a surpresa da velha amiga quando eu apareci, rechonchudo e super ativo. meu deus, agora são 3 filhos, nora!! exclamou ela pra minha mãe. em seguida deve ter havido o riso, acharam graça da situação. eu devo ter rido também pq criança pequena qdo vê adulto rindo ri junto. ri até a hora de distribuir os presentes pq naquele instante arregalei bem os olhos e quieto prestei atenção no que saía da bolsa da mulher. devia ser uma bolsa bem grande pra levar o micro-microscópio estudantil... mas de qualquer jeito é assim que eu lembro. saiu o microscópio, saiu o combo pente-caneta e por fim, no improviso imagino, saiu o bombom sonho de valsa. um único e rosado bombom sonho de valsa. acho que até suspirei de delícia. os adultos suspiraram de alívio visto q a criança achou bom o bombom e nem deu bola pros presentes melhores dos irmãos. devem até ter comentado "criança nessa idade acha graça em qualquer coisa mesmo". passada a ameaça de constrangimento, aliviados dispensaram as crianças e se sentaram na sala pra prosear. e foi no meio da prosa alegre e relaxada que eles ouviram aquele ruído constante que vinha da sala de jantar. no começo num deram mta bola mas como a porta da sala de jantar dava pra sala de estar foi inevitável eles assistirem boquiabertos qdo eu passei arrastanto o bombom pela borda da mesa de jantar e fazendo com a boca "vruuummm-vruuuumm" bem alto.