olhe para o meu umbigo
olhe para o meu umbigo. eu não paro de olhar para ele. vc tb vai adorar. vc não vai resistir. e assim ela despudoradamente exibia o seu umbigo. fascinada pela próprio umbigo ela não podia imaginar que o mundo não caísse de amores por ele tb. e tinha razão. seu umbigo perfeito foi conseguido com mto esforço. todo o esforço q a levou a alcançar o privilégio de viver para ele e apenas por ele. avalisada por discursos que vinha das sufragistas, passando por virgina wolf, gloria steneir e camille paglia até oprah, ela havia conquistado o direito de ter o seu belo umbigo sustentado pelo mundo. ou por qualquer q um dia fascinado olhasse para ele o tempo suficiente. tóim, hipnotizado mais um se juntava a uma legião de admiradores, todos olhando para o umbigo dela em total devocão. mais um que chegava. com vc não vai ser diferente: olhe para meu umbigo. olhe para meu umbigo, ela demanadava. olhe para ele e juntos viveremos este momento pleno de felicidade. eles proclamavam a felicidade sem perceber que o momento em que se admite a felicidade é exatamente o momento seguinte do apogeu. é o começo da decadência, de uma curva descendente que vai levar os dois juntos numa emocionante e veloz jornada direto para dentro do umbigo.
wondermarx - 10:35 AM
fala aí:
Segunda-feira, Agosto 29, 2005
o candelabro italiano
duas jovens vagam num fim de dia ensolarado de verão em roma. abordadas por um par de italianos elas acabam entabulando uma conversa q termina por leva-las numa vespa até o studio de um deles. ali elas descobrem q studio na itália não é o equivalente a um loft novaiorquino ou de um sotão simpático em paris. studio é uma definição genérica que pode ser um escritório ou mesmo um consultório. e foi assim que duas brasileiras, uma ruiva e outra loira, se viram num consultório de dentista em roma. ali na entrada foi feita a divisão: um casal fica na sala de espera e outro no consultório propriamente dito. tudo mto inocente apesar da ambientação vagamente excitante. a ruiva se acomodou no sofázinho da sala de espera e para loira sobrou o outro cômodo. ali, frente a cadeira de dentista, ela se viu sozinha com aquele italiano estranho , o menos bem apanhado da dupla, e que sedutor decidiu pôr uma musiquina pra relaxar. ela olhou me volta e desconcertada dando um sorrisinho quis parecer a vontade. ele, cheio de esquemas, acendeu a luz da radiografia na parede para criar um clima. a luz fria e azulada preencheu a sala estampando a imagem refletida de um molar na parede. a loira aí quase se encheu de horror, mas solidária pensou na amiga sentada no sofázinho com o outro ragazzo e decidiu dar mais um tempo. a música cresceu e o latin lover lançou olhares insinuantes para a bionda. mas diante da falta de entusiasmo dela já começava a demonstrar impaciência. aquele marcello mastroiani da odontologia logo se encheu e num ultimato demandou em inglês com pronunciado sotaque italiano: dance to me, dance to me. if you dance to me maybe i can kiss you tomorrow. a loira marchou para fora da salinha, pôs de lado a solidariedade a amiga ruiva q naquele momento se preparava para ter um beijo ardente plantado em seus lábios, e foi embora carregando ela junto. marchou firme até o brasil deixando para trás a itália, os italianos e o raio x do molar iluminando a parede.