nós somos os primeiros a chegar até aqui
vc provavelmente já ouviu q "forties are the new thirties'. foi mais ou menos assim q começou a conversa. sentados na mesa redonda do bistro um grupo de trintões avançados e neo quarentões discutiam o fazer agora qdo tempo nos alcançou. ela me olhou curiosa qdo comecei a minha explanação. comecei dizendo: nós somos os primeiros a chegar aqui. na realidade não é bem assim, mtos vieram antes. mas o fato é q qdo agente tinha 16 e via o cara de 35 ele era invariavelmente casado, barrigudo, pai de uma renca de pirralhos e já acomodado num futuro q começou num presente que ele nem viu acontecer. se fosse mulher então... o quadro seria mais desolador: caída e dona de casa sexo era uma coisa que ela já não se lembrava. qdo pontuei a evolução desse cenário, especialmente para a mulheres, já cativei metade da mesa. sim, a nova mulher trepa, é bem cuidada, tem 37 e parece 30, é solteira ou divorciada, trabalha e na virada para os 40 considera mudar de carreira, casar e ter filhos. não necessariamente nessa ordem. de fato nós dessa geração somos os primeiros a pisar nesse terreno escorregadio onde a pós-adolescência encontra a pré-maturidade. isto é, se de fato houver a maturidade. talvez seja mais um dos mitos que essa geração vai derrubar. derrubar o casamento, derrubar o envelhecimento, derrubar o pt, derrubar deus e por fim, derrubar a maturidade. qdo comecei a divagar nessa seara cativei o restante da mesa: os outros homens. isto pq se tem alguém que não quer q o tempo passe somos nós os homens. continuei dizendo q as mulheres admitem q o tempo passa (apesar da luta eterna contra a gravidade) e que se amadurece (casa, filho, cachorro, casa na praia...), mas os homens lá dentro nunca crescem, queremos é jogar playstation, comprar carro esporte, cair na farra, encher a lata... aí eu perdi as mulheres. revoltadas elas nem quiseram discutir. acenderam o cigarro, jogaram o cabelo, cruzaram as pernas e me ignoraram. e os outros homens? bem os homens, como já disse nós nunca crescemos. eles me censuraram silenciosamente pela quebra do sigilo e pediram a conta.
wondermarx - 3:44 PM
fala aí:
Segunda-feira, Agosto 08, 2005
de ouvidos bem abertos
a senha era fidelio, como no filme de olhos bem abertos de kubrick. com a abertura leonore de fidelio começou a apresentação de zubin mehta e da sinfônica de israel, seguido por valsas de ravel e pela célebre 5º , também de beethoven. a sala são paulo totalmente lotada, toda a sociedade que se diz culta estava lá. toda bem vestida, e na maior parte do tempo mal educada se acotovelando pelos corredores. mehta foi efusivamente aplaudido todas as vezes, a música subindo alto pelas paredes e preenchendo a sala. era só fechar os olhinhos e aproveitar. fiquei pensando todo o tempo na importância e no impacto de obras que foram criadas há mais de 200 anos e que até hoje fazem as pessoas se reunirem num momento silencioso e quase solene. antes de reger a 5º mehta vira-se para a platéia e diz: "aqui é o único lugar onde se tem paz."
nota: quando anunciada a presença do presidente FHC a platéia aplaudiu eloquentemente por uns 3 minutos. aqui e acolá ouviam-se vozes dizendo: "volta!"