por uma vida menos ordinária
eu perguntei como foi o dia e ele respondeu q foi bunda. um dia bunda, numa semana bunda. num ano bunda? é, de uma década bunda. dito isso ele desceu. dei uma baforada e ri. a gata sem nome arranhava alucinada o bico do meu tenis. dei outra baforada e depois um gole. perguntei: e antes da década bunda? foi bom. agora ele dava baforadas secas e eu entornava o último gole da cerveja. pensei se a minha vida tinha sida bunda tb, antes dessa década quero dizer. acho q não. acho q virou bunda outro dia. só me dei conta no dia seguinte, mas aí já era tarde. ri de novo. ri de bobo. a cabeça ficou leve e comecei a contar as flores da almofada. foi aí q percebi q num era almofada. a gata se atirava desesperada contra o pedaço de pano florido. é um trabalho. ele completou: de uma artista. sei, sei... num sabia o q dizer. concordamos q num havia mesmo o q dizer. melhor deixar no chão pra gata destruir. fui indo pro elevador enquanto pensava na década bunda. qdo cheguei no térreo já achava q era culpa do bush. ultimamente acho tudo culpa dele. na falta de alguém pra culpar e odiar use o bush, o maior de todos os bundas.