meu ego identificado
na hora q falaram daquele filme não houve saida: ele teve q reagir. "como assim?", ele pensou. "conheço esse filme, sou fã deste diretor, gostei dessa idéia... enfim, tudo de mim esta contido aí. se vc não gosta desse filme logo não deve gostar de mim. se criticou meu filme quasi-favorito está me criticando por tabela. assim vc não me deixa saida, tenho q atacar. e vou atacar com todas as minhas forças. vou direcionar minhas baterias anti-aéreas, meus mísseis, toda a minha frustração, angústia, desajuste e desespero contra vc. nessa batalha só pode sair um vencedor: meu ego, intacto, sem nehum arranhão." com seu ego totalmente identificado em tudo e qualquer coisa, ele virou pro lado. respirou fundo e ciente do discurso preparado e da estratégia minuciosamente traçada pôde fechar os olhos e dormir o sono dos justos.
wondermarx - 11:08 AM
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o dono da verdade
sentado no alto da minha frustração por não participar ativamente de uma mudança social colaboro em transformar um mero jantar entre amigos numa arena política. é q pra mim cada dia é mais difícil saber q faço o mínimo aceito em qualquer sociedade organizada de primeiro mundo (votar, pagar imposto, não estacionar em fila dupla...), gozo dos privilégios de um país com injusta distribuição econômica, crítico tudo e todos o tempo todo e na prática não faço nada demais para mudar o ambiente. vejo todos os planos de transformação e todas tentativas esbarrarem em algum argumento comprovado e razoável q invalida determinada investida, vejo modelos q funcionaram em outros países não se ajustarem as características locais e ninguém propõe uma solução. sinto essa angústia de pensar q nada vai mudar e q ao mesmo tempo parece q pouco tenho feito para tanto. me sinto herdeiro de um histórico de injustiças, favorecido por elas e ao mesmo tempo eu trabalho, faço a minha parte, pago meus impostos num país em q as minhas reinvidações são risíveis frente a pobreza da imensa maioria. me lembro q meu pai, q mto mais jovem q eu, enfrentava um regime militar, se erguia contra valores desumanos e fascistas enquanto eu gozo dos benefícios da injustiça social, do liberalismo econômico e das liberdades democráticas. tudo pelo q trabalharam antes de mim. e ainda assim me sinto longe de estar satisfeito como cidadão. olho em volta e reconheço no brasil valores excepcionais para um país com as dificuldades que temos. vejo o q a musica. o cinema, as artes plasticas, o esporte, a arquitetura e mto mais q o brasil produz fazer história no mundo. é claro q a gente não o berço da pintura renascentista, por exemplo. mas vamos combinar q fora o eixo econômico-cultural principal do mundo a maioria dos países tem pouca representividade mesmo? nesse grupo enorme de países a gente tem destaque. sinto orgulho do q sai daqui. mesmo assim, mesmo orgulhoso de tudo isso, sinto essa revolta interna de ver nada mudar e estar fazendo mto pouco para isso. daí, movido pela minha própria insatisfação, transformo um jantar no palanque da minha frustração e viro a encarnaçao do dono da verdade. pobre de mim, do meu orgulho e de minha vergonha. ai, pobre dos meus amigos q me aguentam...
wondermarx - 12:31 AM
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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005
maquiavel e o bbb - estamos todos no paredão?
o bbb5 é certamente o maior guilty pleasure meu atualmente. é q desta vez o programa reuniu uma galera da pesada. um pouco envergonhado admito q não consigo desgrudar da tv. a armação é sem fim e a falsidade corre solta. assistir o jogo de manipulação e poder do bbb5 me faz pensar até q ponto nós aqui fora não estamos todos tb no paredão? quem na infância ou na adolescência não teve q lidar com o jogo complicado das relações de grupo e com a angústia de ser aceito ou não? pois é, mas será q isso acaba na escola? no caso do bbb então ainda tem 1 milhão pra azeitar a disputa... é, viver em grupo tem uma adminstracão difícil. as regras do convívio social nunca são muita claras e vez por outra a gente acaba assistindo a fritura de um ou oportunismo de outro. no meio destes extremos tem a galera q na maior parte do tempo fica tentando se equilibrar do lado q parece ter mais chances de vencer. é uma aposta, nem sempre as coisas correm do jeito q parecem e uma virada súbita pode complicar para o lado mais desavisado. e quem pode culpar os jogadores neste tabuleiro social? todo mundo tem q sobreviver e numa terra sem lei basicamente salvam-se os mais fortes ou os mais resistentes. e estes se usam dos peões para manipular o restande do jogo. o q fica claro neste bbb é os vencedores estão lá e de um jeito ou de outro a decisão final é da audiência. por mais q se procure manipular as relações dentro da casa existe uma força onipresente q faz a escolha final: a audiência. na vida real a coisa não é tão clara_ se bem q qualquer grupo está contido num grupo maior e este é capaz de julgar e observar tb.... na maior parte do tempo eu acredito q a tendência geral é de ordem, qdo se desorganiza mto as regras e os valores qualquer grupo acha um jeito de continuar existindo e algum valor, regra ou medida se impõe. maquiavel dizia q o rei só se mantém no poder enquanto o povo acredita nele, q mesmo a força intimidadora do exército não é capaz de conter um grupo se o líder for desacreditado. faz sentido pq mesmo o exército faz parte desse povo. já a sabedoria popular diz q se pode enganar mtos durante mto tempo, mas não todo mundo durante todo o tempo. o problema é q este mto tempo pode durar mto e causar estragos demais. está aí o bush pra provar. este assunto rende mto, ainda mais se a gente adicionar um elemento decisivo na hora de avaliarmos qual a melhor estratégia: a ética.
wondermarx - 10:58 PM
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Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
do people ever listen?
sento do lado de fora do restaurante com o amigo. do nada a conversa esbarra em mim. aquela assunto q vc evita e q por alguma razão e uns drinks a mais vem a tona. confiante na cumplicidade deixo escapar uma frase indicadora de que tem mais coisa aqui dentro de onde veio essa. para a minha quase total surpresa ele continua o assunto q falava sem tomar conhecimento daquilo q eu falei. por um segundo passo pelo terreno conhecido do "incompreendido". visto o personagem, me olho no espelho e imediatamente me sinto ridículo. tento focar na conversa e tento prestar atenção no q ele fala, no q acontece por trás da parede envidraçada do restaurante, na azeitona do dry martini... mas nada. não consigo sair daquele impasse, daquele desabafo q chegou até a garganta e agora já é tarde pra engolir. começo a ficar indignado, impaciente e mais um pouco começaria f icar ignorante. foi aí q brotou da minha boca a frase. saiu em inglês meio q pra fazer jus ao interlocutor q fala mtas palavras nessa língua numa só sentença e meio pq em inglês ia ter um misto de impacto e desapego. saiu, num tinha mais como voltar atrás. ficou um silêncio desconfortável por uns instantes enquanto eu rezava pela aquela cena de filme americano qdo o amigo se vira e tomando consciência de seu egoísmo e insensibilidade abraça o amigo e jura amizade eterna. pensando bem acho q num queria esta cena, mas enfim, num veio. veio um frase qualquer q tomava consciência da insensibilidade seguida por uma análise breve pouco perceptiva da minha personalidade e uma longa explanação de como ele via a vida. respirei fundo e arrependido. pensei em tudo q havia ouvido recentemente dos amigos mais próximos. pensei na amiga q defendia a outra amiga desleal, no outro amigo q me dizia "q não éramos como os outros", e ainda em outra amiga q dizia q eu era "um cara sensível". fiquei desolado. quis mto nessa hora ser um ermitão. lembrei q aprendi esta palavra num quadrinho do horácio, pensei q chamo de horácio pessoas q tem bracinhos pequenos apertadinhos contra o corpo e pensando nisso ri por dentro. depois de uns quarenta minutos de trocas sinceras de votos de amizade e uma conversa q passava longe da minha angústia, q concluí ser indecifrável até pra mim, consegui chegar em casa. fumei, tirei a roupa, fui até a janela, chequei a rua como sempre, pensei mais alguma coisa, fui pra cama, virei de um lado pro outro e continuei com aquele pensamento na cabeça: do people ever listen?
wondermarx - 10:10 PM
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wondermarx - 2:12 PM
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too close
alice ayres salvou a vida de três criança de um incêndio no dia 24 de abril de 1885, ato este q lhe custou a própria vida. em 2004 jane rachel jones anda pelas ruas de ny segura de si e do passado q deixou para trás. jane, uma stripper americana, abadonou ny por londres ao fugir de um namorado. alice caminhando por londres conhece dan ao ser atropeda. dan wolfe conhece anna para depois fingindo ser ela, trocar msgs num chat com larry. larry cruzou com anna, q o marido havia trocado por uma mulher mais jovem, e eles se casaram. larry procurava prostitutas em ny, enquanto anna tinha um caso com dan, q morava com alice. no final anna abandona larry por causa de dan, e retorna para larry movida pela hábito, ou culpa, ou amor. dan volta para alice movido pela hábito, ou culpa, ou amor. mas ela o abandona e volta para ny. no meio disso tudo jane transa com larry uma noite em londres.
wondermarx - 10:26 AM
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Domingo, Janeiro 30, 2005
closer
pense num filme q conta os relacionamentos amorosos e traições de 4 pessoas sem mostrar cenas de sexo, gdes momentos de intimidade e longos beijos. "closer", de mike nichols é assim. tudo é dito, quase nada é mostrado. mesmo a forma engenhosa do roteiro deixa pouco a ser visto dos relacionamentos. mesmo assim a história esta lá, bem contada da forma teatralizada q são os filmes de mike nichols. saí do cinema pensando "afinal, a respeito do q é este filme"? sim, é sobre relacionamentos, mas qual é a tese q ele defende? mesmo q isso ainda não esteja claro pra mim uma coisa é certa: gostei do filme. um filme de atores "coadjuvantes". clive owen e natalie portman fazem o filme deixando pouco para julia roberts e jude law. não é a toa q estes dois já foram premiados no golden globe. vou ver o filme de novo pra decidir o qto gosto dele.