um passe de mágica
eu tenho tentado ultimamente escrever textos mais curtos (e revisados), mas sinto que esse num vai ser mto curto. de qualquer maneira aqui vai:
você conhece este cara (ou essa garota). provavelmente trabalha com ele, já estudou na mesma classe q ele, ou já frequentou o mesmo círculo social. provelmente vc já foi esse cara uma vez na vida. suas histórias são engraçadas, envolventes e na maioria das vezes inusitadas. um daqueles caras q contam casos q "só pdiam ter acontecido com ele". ele cita nomes casualmente contando uma história e na maioria das vezes faz parecer o seu envolvimento nesse evento praticamente casual e desastrado. ele tem o dom de rir de si próprio tb. principalmente se for antes dos outros. se vc conhece ele no trabalho certamente já viu o quanto ele parece sempre ocupado e como de alguma maneira ele aparenta estar misteriosamente próximo das figuras de poder.entretando pouco do que ele fala ou faz confere com a realidade. tudo acontece como se fosse num passe de mágica, como um truque bem feito.
pronto. vc já deve ter reconhecido ele. este cara é stephen glass, o jornalista da prestigiosa revista new republic, que no final dos anos 90 como jornalista em ascenção escreveu cerca 27 artigos envolvendo desde de monica lewinski até uma gde empresa de software. tudo pura ficção. ficção publicada numa importante revista americana com importantes editores no comando. stephen glass inventava fatos, notas, citações e personagens para dar consistência a seus artigos. alcançou popularidade nacional publicando artigos em outras revistas como rolling stones, george e harper's. e teria provavelmente continuado se um artigo sobre uma fictícia convenção de hackers não tivesse chamado atenção da forbes online q checando as fontes publicadas por glass descobriu que basicamente nada relatado por glass havia de fato acontecido.
aí está. esse cara q vc já reconheceu pode sim chegar a um posto alto na sua empresa, no seu círculo social ou mesmo no seu grêmio acadêmico ou partido político. ele manipula habilmente informações num ambiente em q a informação geralmente é a moeda corrente. ele pode ser seu pior inimigo, mas nunca vai ser o seu melhor amigo. simplesmente pq qdo confrontado ele irá procurar uma maneira de indicar a culpa para outro. e esse pode ser vc. não existe moral nesse jogo. se vc é um ser moral não vai encontrar saída. se for tão amoral qto ele acabou de encontrar seu mais forte adversário.
parece q não tem saída então. provavelmente a saída não é fácil. mas sempre podemos procurar acreditar na máxima q diz: "vc pode enganar mtos durante mto tempo, mas não todo mundo durante todo o tempo". entretanto, num caso assim, talvez seja mais conveniente ser um dos que estão sendo enganados.
não dá pra negar q alguém assim sempre entretém. como tb é o caso de "shattered glass", filme discreto produzido pela cruise/wagner (sim, de tom cruise), estrelando hayden christensen (de star wars) q conta de forma "ficcional" o caso real de stephen glass. filme interessante q no dvd ainda tem de bonus uma entrevista com o verdadeiro stephen glass para o 60 minutes. e na entrevista ele parece dizer a verdade. como de resto ele sempre pareceu.