wondermarx

 
             

   
 
 

Quinta-feira, Junho 26, 2008

 
constatação e performance
já faz algum tempo que eu acordei sem palavras. continuo falando, mas aparentemente menos. daí para escrever menos foi um pulo. não acho q eu esteja ficando quieto. e mto menos mudo. só parece q o assunto foi se esgotando. foi ficando meio repetitivo e eu fui ficando meio cheio de escrever e ler o mesmo. então eu fui decidindo meio sem querer que queria era mudar de assunto. comecei a ficar com preguiça de ler o que os outros escreviam. comecei a ficar sem paciência pra tanta opinião, tanta informação. esse mundo digital vai enchendo a nossa cabeça de todo tipo de informação. e a gente vai randomicamente absorvendo tudo e tudo parece interessante. até a hora que rola um overload. de repente ao ler a vida dos outros vc começa a perceber que tudo vira meio ficcional. e que todas as palavras estão ali numa função performativa. ou seja, estão ali para produzir um fato. e para gerar uma impressão. então aquela coisa meio ficcional meio realidade que eu gosto acaba entrando na mesma onda daquela redação performativa que povoa a internet. nada contra, mas qdo vc fica meio sem palavras, as poucas que vc encontra vc gostaria é q elas fossem constatativas. tipo gosto mto de ler e ao dizer isso não estou constatando nada mais do que uma preferência. qdo tudo q vc ouve e lê, e acaba por falar, entra numa frequência de querer dizer, querer implicar que, sugerir sei lá o q mais, acaba dando uma vontade louca de se calar. e foi essa vontade louca, esta constatação que me fez decidir silenciar por um tempo indeterminado.
wondermarx - 7:29 PM

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Segunda-feira, Junho 09, 2008

 

wondermarx - 11:10 AM

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

 

flash gordon
wondermarx - 12:11 PM
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blade runner
wondermarx - 12:10 PM

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Terça-feira, Abril 15, 2008

 
postcards from the edge *
outro dia encontrei alguns cartões postais seus. nem sei como não me lembrava mais deles. a memória da gente apronta estes troques. faz com q a gente esqueça de algumas coisas e lembre-se outras. depois com o tempo as coisas que a gente lembra deixam de ter importância e outras coisas antes esquecidas se tornam tão significativa. li seus cartões e fiquei emocionado. fiquei mais emocionado ainda por ter esquecido deles por tantos anos. agora estou aqui diante do teclado escrevendo pra vc qdo vc nem mais está aqui para ler. devo estar escrevendo para mim mesmo. assim mesmo continuo. estou aqui diante do teclado e diante de uma janela onde vejo xangai. enorme e cosmopolita tão diferente de como vc deve ter imaginado ou lido nos livros. será q vc algum dia imaginou xangai? é provável q não. mesmo a sua fantasia comunista devia ser meio abstrata. uma idéia de um mundo melhor e mais justo. só uma idéia, pq mesmo vc devia achar q se tratava de uma utopia. e duvido mesmo q algum dia vc tenha imaginado viver esta utopia. era só uma idéia , uma idéia q devia fazer vc continua, q dava sentido para suas ações e valores. não entendia isso naquele tempo. assim como não me lembrei dos cartões. entretanto, olhando para janela, creio q mesmo q remotamente vc tivesse uma fantasia era bem diferente do q estou vendo da janela do hotel. vejo uma cidade capitalista e moderna. parece q estou em outro século, em outro tempo. parece mesmo blade runner, um filme vc não viu e talvez nem se interessasse. sei lá. talvez sim. tinha idéias tão erradas a seu respeito q fica difícil adivinhar se vc ia gostar ou não. sei q se vc ainda estivesse por aqui, ou por aí, vc ia adorar q eu estivesse aqui. acho q não ia gostar mto dessa impressão capitalista q eu estou tendo. mas nem dá pra saber. qdo vc foi embora o muro mal tinha caído. era outro tempo. q de lá pra cá vc nem imagina qta coisa mudou. queria poder te contar tudo do q estou vendo aqui. e acho q estar te escrevendo agora é uma tentativa de te retribuir aqueles cartões postais. daqui de xangai para vc, com amor. um beijo.

*carrie fisher, a princesa lea de “star wars” e filha da atriz debbie reynolds , escreveu o roteiro deste filme q conta relação difícil de uma atriz filha de uma ícone do cinema dos anos 50. no filme meryl streep interpreta a personagem autobiográfica de fisher. shirley maclaine interpreta a personagem inpirada em reynolds.

wondermarx - 12:53 AM

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Quinta-feira, Março 27, 2008

 
vc tem 4 minutos antes que o seu ipod exploda
ok, ok, o lance é seguir o ritmo, se jogar e dançar até o sol raiar. e para tanto tá valendo uma batida gostosa e uma penca de efeitos eletrônicos. e se isso não for o suficiente que tal o auxílio luxuoso da mais moderna química disponível no mercado? pronto, basta acrescentar um look descolado e mta atitude. agora é só agitar. bem-vindo aos 80! é isso aí, nem saímos do retro 80 e ele já está de volta. é assim nesse mundo pá-pá-pá. e para celebrar tanta contemporaneidade a minha, a sua, a nossa diva madonna já lançou seu petardo musical. e ela num veio só: juntou a justin timberlake – um verdadeiro herdeiro branco do michael jackson. 4 minutes to save do world – o single – é uma pérola pop. tem um ritminho contagiante, riffs descolados, intervenções digitais e uma letra mais madonna do século 21 impossível. é claro q vc nem vai prestar atenção, afinal num importa mesmo, mas diz coisas tão importantes como que o caminho para o paraíso é pavimentado de boas intenções. e isso seguido do inconfundível "yeah" da diva. parece que uma porta no tempo foi aberta e fomos jogados de volta aos anos 80. só que desta vez madonna decidiu usar tudo que aprendeu no novo milênio. ao invés de cantar like a virgin _ que era uma letra pra gente nem prestar atenção mesmo_ ela continuou a distribuir generosamente drops de sua recém adquirida sabedoria. e toma frases com espasmos de epifania como: “but if I die tonight at least I can say I did what I wanted to do. tell me how 'bout you?”. é vc tem apenas 4 minutos antes que o seu ipod exploda a sua cabeça.

wondermarx - 5:29 PM

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Sexta-feira, Março 14, 2008

 
down around the corner
a half a mile from here
you can see them long trains run
and you watch them disappear
without love
where would you be now
*
mto do que eu andei dizendo não era verdade. não que fosse mentira, mas não era verdade no sentido de que eu não entendia nada direito. fiquei mtos anos sentado aqui nesse meio fio sem entender nada. e como eu nada sabia comecei a inventar para mim. inventei uma história qualquer para tudo. e como o tempo comecei a contar esta história pra todo mundo. cada um que parava aqui eu contava um pedaço. não demorou mto e construí um passado que fazia sentido. as pessoas começaram a acreditar, começaram a passar a história pra frente. e qdo vi tinha gente que desembarcava aqui já sabendo de mim. deixei de me preocupar em ir embora. estava bom pra mim. era só ficar aqui e colher alguma atenção de alguém sem mto o q fazer. me davam de comer tb. e sentado aqui no meio fim da estação eu fiquei. tinha tudo que eu precisava pra viver. e podia continuar a vida assim até q um dia vc apareceu. te vi descer do trem e meu coração parou. foi só te ver e meu coração conheceu a cobiça. nunca fui tão infeliz na minha vida. passei a querer sair dali. comecei primeiro indo até tua casa te ver se refrescar na varanda. depois comecei a cobiçar a varanda. no começo pq para te ter percebi q ia ter q ter uma varanda igual. ou melhor. depois comecei a gostar da idéia de ter a varanda. e mais tarde me seduzi com a idéia de ser melhor. e para ser melhor tinha q re-escrever toda uma história tinha começado ainda qdo eu era criança. tinha deixar de ser eu, aquele eu q o acaso havia me ajudado a inventar. aquele eu q nunca sentiu pena de mim mesmo, aquele eu q num sabia de pai e mãe. e foi aí q meus coração conheceu a angústia. aquela q eu havia deixado de sentir pq precisava existir. meus olhos conheceram as lágrimas. aquelas lágrimas verdadeiras q nunca tinha conhecido antes. pq garoto criado no meio do fio da vida só conhece choro de fingimento, de dor e de desespero. nunca tinha conhecido choro de solidão, de desamor. e foi aí que meu coração conheceu outra emoção que eu preferia nunca ter conhecido até ali. e junto disso veio a visão de vc. e veio a visão de vc linda a se refrescar na varanda. e foi aí que eu conheci um desejo tão gde que tinha vontade de cegar meus olhos. te amaldiçoei por ter chegado naquele trem. te amaldiçoei por fazer olhar para trás com tristeza e olhar para frente com ambição. percebi q ali não podia mais ficar. nunca iriam dar uma chance de futuro melhor para o menino que cresceu no meio fio da estação. por tua causa tive q fugir. tive q fugi para um dia poder te encontrar. e foi assim q me vi no trem, escondido no vagão de carga com o vento rasgando pela porta. morrendo de frio a noite e derretendo de dia. desembarquei pela primeira vez na cidade gde onde milhares de garotos como eu ficavam enfileirados na estação. todos mais safos que eu. se eu num soubesse disso tinham me roubado tudo. perdi os sentimentos de novo. só guardei a cobiça. e a cobiça me fez fazer de tudo. e fiz de tudo sem sentir nada pq tinha uma coisa só em mente. e foi assim q meu cérebro descobriu a estratégia, a lógica, mentira, a política e o truque. daí foi um passo para conhecer a violência e a corrupção. vc me fez conhecer tudo isso. vc me fez aquilo q eu era até hj. até hj pela manhã qdo descobri q estava mentindo de novo. mentindo para mim como fiz a vida inteira. e pela primeira vez em mto tempo eu deixei de te querer. pq de fato nunca quis, pq de fato eu queria era esta cobiça. pq eu tinha ficado anos esperando algo q me movesse. pq eu tinha ficado anos conhecendo a inveja e disfarçando de descaso. e ao chegar aqui, ao desembarcar aqui. ao chegar até a sua varanda e te ver foi q eu percebi q nunca te amei. foi assim q eu percebi q embora eu não me orgulhe do q me tornei eu te acho pouco pra mim. te acho pouco pq conheci tanta coisa nessa vida desde q fui embora q sei q uma menina q ficou se refrescando na varanda nunca vai entender. e pior. uma menina linda q ficou se refrescando na varanda tem mto pouco para me oferecer. e agora que eu sei tudo isso, q eu conheci tudo isso, agora sim só me falta conhecer o amor.

*the doobie brothers são uma banda de rock americana mais famosa por hits dos anos 70 como "black water", "listen to the music" e "what a fool believes". depois de venderem mais de 22 milhões de discos eles entram para o rock & roll hall of fame in 2004. o trecho q dá título ao post é a estrofe inicial de e "long train running".


wondermarx - 5:09 PM

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Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

 
41º 13"02.67'
on a rocket to
the fourth dimension
total self awareness
the intention
my mind is as clear as country air
i feel my flesh, all colors mesh
wondermarx - 9:39 AM

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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

 
alice in wonderland*
"filho da puta!" ela repetiu alongando as sílabas: fiiilho daaaa puuta! ela falou assim feito ator brasileiro em filme dos ano 70. filme brasileiro da década de 70 q se preze tem alguém falando "fiiilho daaaa puuta!" de boca cheia. tem tb mto "vá pra puta q te pariuuu". é a contracultura, é essa coisa de grito entalado na garganta . pelo menos era assim q o pessoal cabeça defendia o uso indiscriminado no palavrão no cinema nacional de protesto. uma coisa contra a ditadura, sabe. bem, posto isso, explicada a referência , voltemos aos fatos. ela xingou ele plantada nua no quarta. aquele cafajeste tinha deixado escapar o nome de uma fulana bem na hora do vai e vem. bem na hora q o pau dele enterrado dentro dela apontava o caminho do clímax. ela brochou imediatamente. saltou da cama e xingou. xingou e atirou nele o q viu pela frente, q no caso era um bibelô de louça em forma de cisne q ela havia ganhado da mãe. era bem brega, bem cafona, mas ela q era chegada num brechó chamava de kitsch. ele , q num era chegado nessas coisas _ pura viadagem na sua concepção _ achava aquilo uma porcaria e no fundo ao ver o treco se espatifar na parede sentiu até um certo regozijo. o cisne ficou descabeçado e ele q estava mais interessado no ganso viu suas chances de satisfação se espatifarem na parede tb. ela repetiu " fiiilho daaaa puuta" mais umas 323 vezes enquanto procurava qualquer outra coisa para atirar. mas depois de ver o cisne kitsch ser decapitado começou a procurar qualquer coisa de menor valor. de repente tudo tinha valor. tudo valia mais do q aquele desgraçado q comia ela falando o nome de outra. por fim atirou uma caixinha de fósforo nele. ele num se controlou e rio. e o riso incendiou a fúria. ela saiu pelada do quarto e voltou segurando uma panela. agora a coisa estava ficando preta mesmo. ele fugia da panela pelado pela casa. foi tropeçando , ralando o dedo, batendo o joelho e chacoalhando p pinto até a sala. ali, desnudo, de frente para janela sem cortina se viu diante de uma platéia inusitada. dona aurora do bloco da frente com as netinhas. uma de 4 e outra de onze. a de 4 ria e apontava para ele. a de 11 com um meio sorriso num tirava o olho do pinto dele. ele pensou: nessa idade e já safada... e já sentiu o membro orgulhoso pulsar de novo lá embaixo. esse pensamento foi a distração necessária. a panela atingiu em cheio o topo da cabeça dele. ele viu tudo turvar. foi caindo no chão e na escuridão. só conseguiu ver dona aurora com aquela cara de dor simpática, espremendo os olhos, encolhendo os ombros e falando "xiiiii". caiu espatifado e pelado no carpete. só foi voltar a si sabe-se lá qto tempo depois. estava pelado, mas coberto pelo lençol. a mulher aos prantos estava vestida e descabelada. dona aurora do lado segurava um copo d'água q insistia em oferecer-lhe. a menina de 4 brincava no chão e a de 11 parada ao lado da cama olhava bem no fundo dos olhos dele. ele foi se recuperando, a mulher pedindo perdão, dona aurora oferecendo água e a menina olhando para ele. e ele , q num era bobo nem nada, se fez de vítima. gemeu, mostrou fragilidade, sorriu, perdoou, fez q ia desmaiar de novo. enfim, fez de tudo para ganhar a solidariedade das mulheres em volta. até a de 4 anos veio ajudar. mas a de 11 ficou ali observando ele, tirando uma linha e medindo ele inteirinho. as coisas foram se acalmando e a conversa foi fluindo. ele sorrindo, ela enchendo ele de beijo e dona aurora oferecendo o maldito copo d'água. por fim a paz se fez e a vizinha decidiu ir embora. qdo estava saindo ele levantou a cabeça e fingindo dificuldade quis saber os nome das meninas. disse para agradece-las pela ajuda e se desculpar pelo papelão. dona aurora foi logo contando q a de 4 era uma fofura mesmo, um amorzinho e se chamava gisele. a outra, a maiorzinha, mto inteligente e já estava na 5º série como ela logo explicou, se chamava alice. e foi olhando bem no fundo do olho da menina q ele num meio sorriso repetiu: alice. e alongou o nome no meio do sorriso. a mulher imediatamente reconheceu aquele tom de voz, aquelas vogais alongadas, o sorriso safado. "tarado!", ela gritou enquanto avançava sobre a cama furiosa. ele saltou da cama pelado e saiu correndo pela casa. a mulher lançou mão da panela e foi atrás. dona aurora tampou os olhos a menor enquanto franzia a testa e repetiu o "xiiii" anterior. já alice, essa ficou parada olhando tudo. não perdia nada a alice. os olhos de alice permaneciam grudados na anatomia do homem q corria pelado pela casa perseguido pela mulher descabelada. ele olhava admirada para o pinto dele. nunca havia visto nada tão pequeno.

*a síndrome de "alice no país das maravilhas" é uma doença rara tb conhecida como micropsia. mtas vezes associada a epilepsia e a ansiedade, esta condição do cérebro afeta como a pessoa percebe os objetos ao seu redor, mtas vezes percebendo eles como mto maiores ou mto menores do q eles de fato são. a doença tem este nome em referência ao personagem do livro de lewis carrol q numa certa passagem tem seu tamanho modificado inúmeras vezes.
wondermarx - 6:14 PM

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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

 
um belo dia resolvi mudar*
fiz as malas. fiz as malas na minha cabeça e parti. deve ter sido assim. só sei q de tanto querer partir e não conseguir um dia parti e nem atinei q tinha partido. fiz tudo isso na minha cabeça e nem sei bem como fiz. acho q neste minuto já estou na estrada. devo ter partido faz alguns minutos. é que no tempo mental tudo é diferente. algo q vem acontecendo faz meses na vida real qdo a gente realiza no tempo mental vira minutos. portanto deve fazer uns 45 minutos q estou na estrada. fiz as malas, me despedi e parti. na minha cabeça acho q num levei mta coisa. devo ter levado uma decisão interna de dar o fora daqui e me encontrar em algum lugar. nem q este lugar esteja na minha fantasia. enfim, zarpei com uma decisão na cabeça e acho q nem olhei para trás. olhei sim vai. devo ter ficado horas na porta pensando e repensando se ia ou não. é típico meu. fico ali meio ameaçando, meio q testanto tudo e de repente, qdo parece q desisti eu vou. vou e num olho mais para trás. é q aprendi q de tanto me falarem q eu não olhava para trás um dia parei para olhar. taí o problema, parei. parei e perdi um tempo desnecessário pensando naquilo q não adiantava nada pensar. pois bem, fui embora e nestes 45 minutos de viagem duvido q eu tenha descoberto para onde eu quero ir. vou escrever assim no diário de bordo:" faz 45 minutos q parti e não tenho a menor idéia de para onde estou indo. e estou bem com isso." dei um suspirada agora. fazia mto tempo q eu num ia simplesmente. ia assim sem pensar para onde. a gente vai se apegando as coisas e qto mais se apega as coisas mais difícil fica ir embora. a gente vai se apegando a idéia de q tem q fazer assim ou assado. é, qdo a gente vê a gente tá é frito mesmo. enfim, agora q eu estou aqui posso deixar rolar novas sensações, novos conhecimentos. sei lá, num tenho idéia do q está por vir. deve estar para acontecer algo imprevível no caminho. e qdo se está na estrada faz 45 minutos sem saber para onde se está indo um imprevisto pode ser positivo, pode ser benvindo.

* trecho da clássica canção de rita lee "agora só falta vc". mais um trecho abaixo:
"...E fui andando sem pensar em mudar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você."

wondermarx - 5:22 PM

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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

 
tudo certo mas nada em ordem *
estava absolutamente tudo em ordem, mas com certeza nada certo. ele andava de um lado para o outro esfregando as mãos num aflição constante. definitivamente estava tudo em ordem: os convites, o buffet, a decoração... tudo em perfeita e ordenada ordem. mas algo não estava certo ali. ele procurava angustiado lembrar de algo q poderia ter esquecido. algo fatal, dada a aflição q se encontrava. mas nada, nada lhe ocorria a não ser aquela persistente certeza de q algo estava errado. mto errado ele repetia para si mesmo enquanto balançava a cabeça lentamente de um lado para o outro. exausto e encalorado decidiu abrir a janela. precisava de ar. precisava de fato de tempo. tempo para recordar o q havia esquecido. tempo para lembrar o q de fato era tão importante q ele não poderia ter de forma alguma esquecido. ele soltou um suspiro. a vida era corrida mesmo. as oportunidades eram poucas e a gente não podia deixar de agarra-las. repetiu par si mesmo o q já havia virado uma mantra: a gente nuca sabe do dia de amanhã. mas a realidade, ele admitia, era q levado pelo turbilhão do dia-a-dia inevitavelmente ele acabava deixando uma ou outra coisa passar. mesmo q esse coisa fosse importante. e agora lá estava ele, diante de um memória q se recusava a voltar e refém de uma angústia q se recusava a ceder. em poucos minutos sua vida estaria totalmente diferente. tudo ia mudar no momento em q ela cruzasse a entrada da igreja. tudo aquilo q ele havia antecipado e desejado estava por acontecer. e tudo estava certamente em ordem. ele tinha dedicado toda a sua atenção para q nenhum detalhe ficasse de fora. ia ser uma noite inesquecível. um sonho. mas eis q um esquecimento qualquer estava agora a estragar tudo. ele se voltou para dentro da sala. olhou-se no espelho e preparou-se para se resignar. estava tudo em ordem, repetiu diversas vezes enquanto checava o terno impecável. tudo na mais perfeita ordem, finalizou. seja lá o q for, seja lá q esquecimento fosse esse q o perseguia, o fato é tudo estava em ordem. apalpou as alianças no bolso do paletó como se buscasse alguma confirmação, alguma segurança. suspirou mais um vez e se preparou para sair. estava na hora, confirmou no relógio de pulso. na hora exata e ensaiada de ir para o altar esperar por ela adentrar na igreja e definitivamente na sua vida. de agora em diante estariam juntos para sempre, suas vidas entrelaçadas se desenrolando como uma só. ele e aquela que ele havia escolhido e achava certa e adequada para chamar de esposa. seus pés hesitaram qdo ele quis caminhar até a porta. estava um pouco apreensivo, mas sabia q era normal. todo homem devia se sentir assim, concluiu. respirou fundo, suspirou pela terceira vez e preparou-se para o gde evento de sua vida. foram 4 passos lentos até a porta. ela se abriu e ele deu de cara com a rua e o olhar ansioso do irmão q o aguardava do lado de fora do carro. foram mais 32 passos até o carro. e depois ele perdeu a conta. deixou de caminhar e começou a correr. primeiro discretamente, num passo acelerado e firme. depois desembestou a correr. correu feito louco deixando o irmão gritando para trás. correu primeiro nervoso. depois correu feliz. finalmente tudo parecia certo. tudo parecia fora de ordem subitamente. mas tudo estava certo finalmente.

* '"tutto posto e niente in ordine" é o título de um filme de lina wertmuller, cineasta italiana de ascendência suíça. este filme fala sobre as aventuras de dois caipiras que visitam milão. este post leva este nome simplesmente pq gosto desta frase e a tenho usado na vida durante anos

wondermarx - 3:46 PM

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Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

 
i'm quietly judging you*
silenciosamente eu fiquei te julgando. não tinha mto mais o q ser dito. olhei firme para vc. um olhar frio e inoxidável. sem nunhuma emoção. fiquei te julgando em silêncio até aquela convulsão dentro de mim se calar. depois disso tudo ficou mto claro. qdo a emoção abre espaço para a razão tudo faz sentido, tudo se encaixa rapidamente. mas qdo a emoção cede não sobra nenhum sentimento mais. era como se olhando para vc daquele jeito e te julgando friamente vc tivesse se tornado um desconhecido. alguém por quem eu devia nenhuma consideração, nenhuma conseção. e foi te olhando desse jeito e deixando de sentir qualquer coisa por vc que eu rapidamente passei do sentimento mais apaixonado para o desprezo. a meu olhos, sob aquele olhar, vc era pequeno e arrogante. uma combinação que já nasce perversa e estéril. algo como o homem fraco alçado a posição do líder como conta uma passagem do iching. enfim, alguém q com algum poder pode ser mais destrutivo que alguém legitimamente mal intencionada. veja bem, aqui faço uma declaração do q acredito. aqui te julgo de forma implacável. aqui realizo a necessidade de me distanciar de vc de uma vez por todas. vc é certamente uma pessoa nociva para mim, portanto. concluí este óbvio enquanto te olhava firme e te julgava intensamente. concluí q na sua vaidade, na sua necessidade de desejo morava a cobiça. q se me rendesse a isso estaria sendo tão vaidoso qto vc. segurei este olhar por mais um tempo enquanto terminava o raciocínio admitindo que em breve eu encontraria coisa melhor. posto isso coloquei vc de volta no balcão e fui embora num passo firme e desprendido. eu não preciso mesmo de um iphone nesse momento.

* "estou silenciosamente te julgando" foi o q disse frank tj mackey, o personagem de tom cruise em magnolia, qdo foi pressionado por uma jornalista.
wondermarx - 7:40 PM

fala aí:

Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

 
ain't no mountain high enough
Listen, baby
Ain't no mountain high
Ain't no vally low
Ain't no river wide enough, baby
If you need me, call me
No matter where you are
No matter how far
Just call my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry
'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you
Remember the day
I set you free
I told you
You could always count on me
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Some way,some how
'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you
No wind, no rain
My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
As fast as I can
Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you
Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough


wondermarx - 9:58 PM

fala aí:

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

 
madame bovary c'est moi*
ele não conseguia dormir mais uma vez. ficou olhando para o teto sentindo-se sufocado pelo calor e pelas paredes por o q pareciam horas. na realidade estava deitado fazia minutos. mas naqueles minutos infindáveis buscou calar seus pensamentos. nada. não havia como cala-los. pensava diversas coisas ao mesmo tempo e não conseguia dar uma sequência lógica a nada. e isso era o mais pertubardor. estava buscando lógica, buscando uma explicação para aquele estado permanente de descontentamento. exausto decidiu pensar em sexo. era assim q ele fazia para calar a ansiedade, a preocupação e o desespero. fantasiou qualquer excitação e na sua insatisfação seu desejo pelo mais sujo, mais sombrio e degradante encontrou amparo. masturbou-se furiosamente naquela noite. fez isso seguidamente. e todas as vezes q alcançou o gozo sentiu seu corpo retrair-se, como se no instante do alívio o corpo se recusasse a ceder ao prazer. estava encurralado num eterno estado pré gozo. mas não aquele estado de delirio antes de gozar. não, não tinha esta sorte. estava preso na angústia do gozar, como se o gozo foi o objetivo e não o resultado do prazer. estava preocupado com o desempenho, com o jorrar, com o volume, com a possibilidade de se provar. por fim, depois de tantas tentativas, exausto brochou. sentiu-se miserável. o dia já estava para nascer e ele exausto e angustiado segurava o membro flácido e dolorido na mão. estava totalmente impotente para a vida. e encontrava uma explicação lógica e castradora para isso. de tanto pensar buscou o sexo. de tanto buscar o sexo se rendeu ao pensamento. o dia nasceu, aparentemente sem nenhum sentido. ele assistiu o rastro de luz q escapava da janela ir invadindo o quarto, correndo pela chão até atingir em cheio os seus olhos. sentiu arder no rosto a resignação de que mais um dia sem sentido estava começando. quis morrer. mas impedido pela lógica que procurava encontrar até na fantasia suicida, desistiu. levantou-se, tomou um banho, lavou insistentemente a mão e o pau procurando tirar aquele cheiro da fricção molhada da noite mal gozada. entrou no elevador decidido a mudar. a deixar as fantasias para trás. queria entregar-se a vida, as loucuras que imaginava, a aquele desejo flácido e impotente que havia se rendido. buscou corpos no caminho para o trabalho, desejou tudo que viu pelo caminho. mas logo sentiu-se cansado. mais uma vez impotente. ficou com medo de não desempenhar de tão cansado q estava. por fim desistiu. voltou a pensar, a tentar entender tudo novamente. e assim mais um dia passou, assim como vários outros. deixou passar uma existência insatisfatória com fantasias de uma vida q nem vida era. era só tédio.

*"madame bovary, sou eu", esta famosa frase de gustave flaubert foi a abertura de sua defesa no processo movido pela justiça contra seu livro "madame bovary". no livro a personagem principal vive uma vida entediante no campo, casada com um entediante médico. para dar sentido a sua vida emma bovary fantasia romances que acabam por se concretizar em tragédia. flaubert, acusado de influenciar jovens esposas ao adultério, usou esta frase para dizer q na realidade aquelas eram as suas fantasias, q na realidade madame bovary é qualquer um. alguns outros estudiosos acreditam tb que nessa frase flaubert _ q era um sifilítico e epilético misantropo dado a fantasias platônicas _ admite sua infelicidade e solidão.
wondermarx - 4:54 PM

fala aí:

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

 
meu destino é pecar *
suzana foi até a janela. seu coração saltava de tanta antecipação. o beijo que roberto havia a deixado sem chão. não fora só pelo beijo em si, mas violência do beijo roubado havia lhe deixado emocionada. enquanto ela olhava pela janela suas próprias palavras, sua própria narrativa ocupava sua cabeça. sentia-se confusa, cheia de medos e fantasias. nunca havia se sentido assim. e qto mais estes pensamentos povoavam sua cabeça mas a narrativa literária e irritante deles a perseguia. desejou desligar a cabeça de vez. desejou perder a cabeça de fato. estava ficando louca, dizia para si mesmo. e ao dizer isso para si mesma narrava ao mesmo tempo este diálogo em sua cabeça. era como se existissem duas instâncias diferentes em sua mente. uma efetivamente pensando e outra narrando o que fora pensado. ela se jogou na cama e enfiou a cabeça no travesseiro disposta a afogar um choro que não veio. estava demais alerta e excitada para chorar. e ao realizar isso descreveu para si mesma essa sensação. seu corpo parecia responder a todos os estímulos. o roupa parecia sufoca-la. num ímpeto despiu-se. não acreditava no que estava a fazer. deixou sua mão buscar o sexo e fechando os olhos entregou-se. subitamente os pensamentos cessaram. mesmo a narrativa parecia diminuir o volume. enquanto seus dedos passeavem por sua intmidade imagens incoerentes ocupavam seus pensamentos. finalmente estava em silêncio. um silêncio interno movido por um turbilhão de emoções até então desconhecidas. entregava para si mesmo como nunca havia imaginado entregar-se a homem nenhum. não era mais suzana. era outra. criara para si mesma um avatar, uma fantasia erótica intensa. quis até batiza-la. assim suzana criou helena. helena que era bela e fogosa. helena que disponha de todos os predicados que suzana não tinha. helena que não tinha nenhum dos pudores de suzana. durante aquele momento que pareceu eterno e definitivo para suzana helena criou forma e desejo. qdo finalmente atingiu o clímax helena se desfez no ar, num suspiro profundo, num torpor. suzana estava de volta. agora mais angustiada do que nunca. e movida pela culpa e pela vergonha tratou de imediatamente esquecer tudo que havia acontecido. voltou a sua narrativa interna, ao seu diálogo em bidimensional e trancou helena num lugar de onde ela nunca mais sairia. pelo menos talvez até mais tarde, qdo todos já estivessem dormindo.

* sob o pseudônimo de suzana flag nelson rodrigues publicou "meu destino é pecar" em 1944. primeiramente publicado em formato de capítulos no "o jornal" ajudou a alavancar as vendas deste. em seguida nelson escreveu, agora sem pseudônimo, a peça "album de família".
 

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